segunda-feira, 14 de março de 2011

Caça e Caçador!

"E se um grande prazer rola pelo ar
Brilhante como uma estrela
Leve e louco sem pressa de acabar
A gente nem pensa na hora
Passa dia e noite assim
O amor não tem que ser uma história
Com princípio, meio e fim"

Essa música do Fabio Junior foi uma das trilhas sonoras da minha infância, afinal de contas, minha mãe era fã de ir à todos os shows mesmo que fosse sozinha. Naturalmente acabei me tornando fã também, e acho que o Fabio Junior é o tipo de cantor que ainda será lembrado por muitas e muitas gerações.
Mas o objetivo do post não é falar sobre ele, e sim sobre a música Caça e Caçador. Poderia fazer aqui uma análise morfo-sintática, relembrando as incríveis aulas da faculdade, mas tenho certeza de que somente 10% dos leitores chegariam até o final do texto pois, reconheço, a gramática da língua portuguesa é mesmo para o gosto de muito poucos.

Portanto, o meu objetivo é fazer uma análise mais simplória, buscando apenas o sentimento que essa música transmite, e que marcou uma época muito saudosa da minha vida.

Creio que todos conheçam a letra completa dessa música, mas para quem quer refrescar a memória, segue o link: http://www.vagalume.com.br/fabio-jr/caca-e-o-cacador.html

É claro que essa é apenas uma dentre as milhões de músicas que já foram escritas com o objetivo de ser a trilha sonora de uma "história de amor". E é exatamente esse o ponto... O que podemos considerar uma verdadeira "história de amor"? O amor é um sentimento tão simples e, ao mesmo tempo, tão complexo. O amor é tão intenso e tão singelo que não sabemos nunca as surpresas que ele pode nos preparar.

Mas quando na música, Fabio Junior afirma: "você me faz o que eu sou, caça e caçador..." - sempre me remeteu à uma idéia de instinto. E pelas poucas experiências que eu vivi eu não conheço nenhum sentimento mais instintivo do que o amor. Quando a gente ama de verdade, e isso independe de ser um relacionamento familiar ou entre duas pessoas desconhecidas, costumamos virar feras. Queremos defender quem amamos a todo custo, e oferecemos carinho sem pedir nada em troca. Além do mais, essa idéia de caçar ou de ser caçado é também bastante palpável, afinal de contas, um relacionamento amoroso é também um jogo onde geralmente ganha o mais forte ou do mais ágil. Algumas vezes, ganha quem chega primeiro, ou ganha quem possui mais artifícios a seu favor.

O que de fato eu concordo é que "o amor não tem que ser uma história com princípio, meio e fim". Amor de verdade é aquele que perdura, que ultrapassa barreiras, que vence preconceitos, que supera qualquer diferença e, que principalmente, anda ao lado da verdade, da sinceridade e da humildade. Já fiz aqui nesse blog um post sobre a amizade, e tudo isso que eu acabei de escrever se aplica à esse tipo de amor também.

Tudo na nossa vida é cíclico e tem um início, um meio e um fim, mas não o amor. E o amor traz uma felicidade e uma plenitude para quem ama, que não há descrição que baste ou poema que represente. E eu acredito que podemos sim amar várias pessoas ao mesmo tempo de formas diferentes, senão teríamos somente um grande amigo e amaríamos somente a nossa mãe ou somente o nosso pai.

Não há nada mais lindo do que o amor, pois ele chega sem pedir licença para entrar e nos faz aprender diariamente a lidar com um mutirão de outros sentimentos que costumam acompanhá-lo.

Maria Rita, por exemplo, gravou uma linda música composta por Arlindo Cruz e dois outros amigos, que consegue exemplificar muito bem tudo isso que eu tentei, e espero ter conseguido, transmitir à todos vocês. A música se chama "O que é o amor", e finalizo o blog com ela para que vocês possam refletir sobre o sentimento que move o mundo.

"Se perguntar o que é o amor pra mim
Não sei responder
Não sei explicar
Mas sei que o amor nasceu dentro de mim
Me fez renascer
Me fez despertar

Me disseram uma vez
Que o danado do amor pode ser fatal
Dor sem ter remédio pra curar
Me disseram também
Que o amor faz bem
E que vence o mal
E até hoje ninguém conseguiu definir
O que é o amor

Quando a gente ama brilha mais que o sol
É muita luz
É emoção
O amor
Quando a gente ama é o clarão do luar
Que vem abençoar o nosso amor"

Um comentário:

osimplespensar disse...

Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.


Realmente tentar definir o que é o amor torna-se uma tarefa insana. Insana porque descrever os zilhares tipos de amor existentes pelo mundo levariam alguns séculos para se chegar a um tipo de média, mas ainda assim, sem precisão total.

É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal.
Não sente inveja ou se envaidece.


O amor verdadeiro não permite que façamos o mal ou sintamos inveja de quem amamos.

O amor é o fogo que arde sem se ver.
É ferida que dói e não se sente.
É um contentamento descontente.
É dor que desatina sem doer.


É um sentimento que nos consome, que nos faz sentir calor mesmo durante o outono e inverno. Dói em forma de saudade e nos contenta por saber que o sentimos mesmo longe de quem amamos.

Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.


Não... Sem amor não haveriam condições de vida nesse mundo tão marcado pelo consumismo cada dia mais exacerbado, sem limites entre o poluir e o reciclar. Sem o amor não seríamos nada dentro de um mundo particular de solidão. Todos nós precisamos amar, por mais que muitos digam que o amor não exista!

É um não querer mais que bem querer.
É solitário andar por entre a gente.
É um não contentar-se de contente.
É cuidar que se ganha em se perder.


É sentir algo que nos faz querer a liberdade. E se estamos distantes de quem amamos, nos sentimos solitários mesmo em meio a multidões. Nos contentamos outra vez por saber que ela existe e cuidamos para não perdê-la.

É um estar-se preso por vontade.
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrario a si é o mesmo amor.


Nos prendemos a uma pessoa sabendo que parte de nossa liberdade se vai. Mas ainda assim somos capazes de fazer tudo outra vez. Se somos conquistados, acabamos submissos de certa forma porque sabemos que o amor nos venceu... justo nós humanos, que sempre nos achamos vencedores em tudo.

Estou acordado e todos dormem, todos dormem, todos dormem.
Agora vejo em parte. Mas então veremos face a face.
É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.

Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.